200923jul
O que o Empretec ensinou a todos nós
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Por Silmar Pereira Rodrigues

Silmar participou da implantação do Empretec no Sebrae
De fato, o Empretec foi responsável por significativa inflexão na forma de atuar do Sebrae. Ao elenco de soluções educacionais e de consultorias voltadas para técnicas de gestão de micro e de pequenos negócios foram agregados não só o próprio Empretec, essencialmente voltado para aspectos vinculados a comportamento empreendedor, como também, ao longo do tempo, outras soluções educacionais dele derivadas, como o Aprender a Empreender e o Saber Empreender, entre outras.
Tenho muito orgulho de ter participado, juntamente com colegas que se tornaram meus amigos, dessa experiência profissional inesquecível. Experiência vencedora que permitiu ao Sebrae ser reconhecido, no Brasil e no exterior, como instituição cujo exemplo deve ser seguido no que diz respeito à difusão da cultura empreendedora e ao incentivo à prática das características do comportamento empreendedor como fatores que reduzem riscos e contribuem para o sucesso nos negócios.
Deixei a função de coordenador nacional do Empretec em 1995, quando fui convidado para assumir o cargo de coordenador de cooperação técnica bilateral recebida (CTRB) na ABC/MRE.
Parti para esse novo desafio com a sensação de dever cumprido: o desafio lançado por Roberto Reis foi vencido. O Empretec tinha saído do papel. E, por justiça, não poderia deixar de citar os companheiros que estiveram comigo nessa jornada: Pedro Paulo, coordenador de assuntos internacionais do Sebrae; Edlamar, minha companheira incansável no dia a dia do processo de gestão do projeto; Heloísa Zaca, coordenadora do projeto no Sebrae/RS; Celso Lino, coordenador do projeto no Sebrae/SC; Heloísa, coordenadora do projeto no Sebrae/SP; Any, coordenadora do projeto no Sebrae/MG; Enio Pinto, coordenador do Projeto no Sebrae/DF; Paulo Raul, coordenador do projeto no Sebrae/ES; Alexandre, coordenador do projeto no Sebrae/PE; Márcio Corrêa, da ABC/MRE, Oswaldo Castilho, do PNUD, Eduardo Tarragó, coordenador nacional do Empretec no Uruguai, bem como os instrutores credenciados em momento anterior à integração do projeto às atividades do Sebrae, com destaque para Sandro Morales e Douglas Burtet.
Todos contribuíram de forma decisiva para o sucesso alcançado. A eles, minhas homenagens e agradecimentos pelo muito que aprendi.
Brasília, julho de 2009.
Veja os posts anteriores e acompanhe o relato completo:
Como o Empretec saiu do papel;
A formação dos primeiros instrutores e
200923jul
Os primeiros instrutores e os primeiros manuais
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Por Silmar Pereira Rodrigues
Na sequência dos dois posts anteriores (Como o Empretec saiu do papel e A formação dos primeiros instrutores), vamos prosseguir contando sobre as dificuldades iniciais: como começar do zero se é preciso ter instrutores experientes e manuais que iriam demorar muito a chegar?
Se não era possível realizar workshops, como poderíamos formar novos instrutores?
Por outro lado, o PNUD levaria algum tempo para nos entregar os manuais que seriam utilizados nos workshops. Como sair dessa aparente armadilha, visto que a cultura do Sebrae sempre foi fazer, e fazer rápido. Com essas constatações, foi possível perceber com maior nitidez o tamanho do desafio lançado por Roberto Reis.
Afinal, se queríamos difundir comportamento empreendedor, nós mesmos teríamos que ser empreendedores. Foi convocada a primeira reunião do Comitê Gestor do Projeto para discutir a estratégia a ser adotada. Maravilha! As coisas começaram a melhorar.
Descobrimos, por intermédio dos colegas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que existiam alguns instrutores credenciados no Brasil, remanescentes de uma primeira tentativa de se implantar o Empretec no País, por iniciativa de instituições da Região Sul, que não teve continuidade.
Mas ainda faltavam os manuais. Não dava para esperar as providências do PNUD, pois a cobrança dentro do Sebrae era muito forte. Decidimos agir. Contatamos o coordenador nacional do Empretec no Uruguai, onde a metodologia já estava implantada havia algum tempo. Fomos muito bem acolhidos e nos foram cedidos manuais em espanhol, que tratamos de traduzir para o nosso idioma. O desafio começava a ser vencido.
De posse dos manuais e feitos contatos com os instrutores credenciados já existentes no Brasil, foi possível realizar o workshop pioneiro, que ocorreu no Espírito Santo, em aprazível hotel localizado na Ilha do Boi. Ali começou uma jornada brilhante, que perdura até os nossos dias.
Nos post final do relato: como o Empretec ampliou a atuação do Sebrae.
200923jul
A formação dos primeiros instrutores
Postado por: | Categorias: História
Por Silmar Pereira Rodrigues
Prosseguindo o post anterior, vamos falar da implantação do Empretec.
Até então, o Sebrae não se propunha difundir a “cultura empreendedora”, tampouco as “características do comportamento empreendedor”. Entendia que a boa aplicação de ferramentas gerenciais seria a chave do sucesso nos negócios. Essa percepção da realidade não estava errada. Mas estava incompleta.
Sem dúvida, dominar ferramentas gerenciais faz diferença no mundo dos negócios. Mas não é tudo. E o Empretec veio para completar essa lacuna no enfoque adotado pelo Sebrae, acrescentando a dimensão comportamental às ações direcionadas a seus clientes.
No início, apenas o Sebrae/RS, o Sebrae/SC, o Sebrae/SP, o Sebrae/MG, o Sebrae/ES; o Sebrae/DF e o Sebrae/PE aderiram ao Projeto. Os sete coordenadores estaduais integravam, sob minha coordenação, o Comitê Gestor do Projeto. Também integravam esse Comitê, representantes da ABC/MRE e do PNUD. Quantas discussões; quantos debates acalorados; quanta vontade de acertar e de realizar.
Para tornar mais complexo o desafio a ser enfrentado, a própria metodologia do Empretec impunha um verdadeiro dilema.
Isso porque os workshops, que se constituem no pilar central dessa metodologia, só poderiam ser ministrados por instrutores capacitados “on the job”. Profissionais que tivessem participado, na qualidade de “trainees”, de um determinado número de workshops e que lograssem obter avaliação absolutamente positiva em todos os módulos aplicados nesses eventos, condições indispensáveis para o credenciamento como instrutor do Empretec”. Como fazer?
Estávamos apenas no começo e era óbvio supor que não dispúnhamos de instrutores credenciados para a realização de workshops.
No próximo post vamos ver como foi resolvido o dilema.
200923jul
Como o Empretec saiu do papel
Postado por: | Categorias: História
Por Silmar Pereira Rodrigues
Cheguei ao Sebrae em 1993. Podia considerar-me um profissional experiente, acostumado a enfrentar desafios em diversas instituições públicas e privadas.
Já havia atuado como dirigente, como executivo, como negociador, como professor universitário e como consultor em diferentes projetos apoiados por organismos internacionais.
Ao longo da jornada profissional, foram muitas vitórias e muitas decepções. Mas assim é a vida. O segredo para o bem viver é esquecer os momentos negativos e ter sempre vivos os momentos positivos. Recordar momentos infelizes é sofrer duas vezes; recordar bons momentos é potencializar felicidade.
Por isso, sempre que tenho a oportunidade de falar sobre o Empretec, o faço com muito prazer e alegria, pois reviverei um episódio muito grato da minha vida profissional.
Na qualidade de primeiro coordenador nacional do projeto, o desafio que eu teria que enfrentar era tirar o Empretec do papel.
Aliás, um desafio feito pelo Diretor Técnico do Sebrae à época, Roberto Reis. Na realidade, o “papel” era um “Project Document” firmado pelo Sebrae, pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores – ABC/MRE e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD.
Tratava-se de proposta inteiramente inovadora nas ações do Sebrae, entidade que já se destacava pela excelência em prover capacitação em gestão empresarial a micro e a pequenos negócios.
No próximo post vamos ver como foram superadas as primeiras dificuldades.
200913jul
Você realiza, planeja ou conduz?
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Mais sobre os estudos de McClelland (veja neste post), que agrupou características comportamentais de empreendedores em três blocos:
Realização: procura oportunidades e iniciativa, persiste usando estratégias alternativas até alcançar uma meta, declara preferência por situações envolvendo desafio ou risco, encontra maneiras de fazer as coisas melhor, mais rápido e com menor custo, assume compromisso com contratos firmados;
Planejamento: fixa metas, procura informações, possui planejamento sistemático mantendo registros financeiros e acompanhando resultados;
Poder: utiliza estratégias para persuadir e influenciar os outros mantendo os contatos pessoais como agentes para alcançar seus propósitos, procura autonomia e expressa autoconfiança na sua capacidade de enfrentar desafios.
Obrigado pela contribuição, consultores Claudio Forner e Rosane Cruz.
200913jul
As características do empreendedor
Postado por: | Categorias: História
Prosseguimos com a contribuição dos consultores Claudio Forner e Rosane Cruz sobre o comportamento do empreendedor.
Uma das maiores referências no campo comportamental do empreendedorismo foi McClelland (1972), que relacionou o conceito de empreendedor à necessidade de sucesso, reconhecimento, poder e controle.
A necessidade de realização, segundo ele, seria a principal força motivadora do comportamento empreendedor.
McClelland conduziu pesquisas para identificar quais seriam as características pessoais do empreendedor, aquelas realmente importantes para o seu êxito, capazes de levar um grupo a desempenhar melhor uma atividade que outro.
Esta é a síntese das características apontadas por McClelland:
- responsabilidade pessoal pela solução de problemas, proporcionado a satisfação de vencer por seus próprios méritos;
- necessidade de feedback sobre o desempenho através de resultados alcançados;
- iniciativa para buscar novas oportunidades e alternativas;
- necessidade de ter metas desafiadoras assumindo riscos moderados que lhes permitam realização através de seu esforço pessoal;
- persistência e comprometimento com os objetivos traçados;
- inovação para buscar formas mais rápidas, econômicas e eficientes de fazer as coisas
Outro autor, Cooley, em 1991 apresentou um relatório final onde apontava vinte características, que posteriormente reduziram-se para quatorze:
- Iniciativa
- Percepção e ação sobre oportunidades
- Persistência
- Busca de informações
- Preocupação com a alta qualidade do trabalho
- Comprometimento com o trabalho contratado
- Orientação para a eficiência
- Planejamento sistemático
- Resolução de problemas
- Autoconfiança
- Persuasão
- Utilização de estratégias de influencia
- Assertividade
- Reconhecimento da importância dos relacionamentos nos negócios.
Seguindo seus estudos, McClelland (apud Yong, 1990) analisou as características pessoais e seus indicadores comportamentais, e as agrupou em três blocos:
- grupo realização
- grupo planejamento
- grupo poder.
Mas isso é assunto para outro post.













